5.2.14

A Cidade Perdida



casario desalinhado
estreitado logo depois do largo
beirais debruçados na calçada acanhada
a pingadeira marcada nas pedras
o rabo de chuva sempre insistente
água das bicas, pisada rente à parede
então a curva perdia o cenário
na surpresa do vir, na ilusão da ida

o cinza dos paralelepípedos
o verde do limo no rés das frentes
as cores desbotadas da cal tingida
cidade antiga, triste, sépia
janelas vazias, gelosias caladas
talvez guardassem os olhos da rua
nas calçadas não saberiam
mas estavam lá. Cúmplices às vezes

a memória esmiúça cada detalhe
da cidade que o menino via do campanário
escondido nos arcos, nas traves dos sinos
entre cada retinir do bronze estrídulo
olhar retido que jamais envelhece
da rua presa na perspectiva dos lampadários
da cidade pequena que abrigava os seus
onde pulsam aqueles corações?

no dorso da colina a rua corre, espinha
esquina de um beco do bar do Felício
reboco a imitar tábuas corridas
na outra, o prédio do Alípio, Banco Popular
a casa do Olímpio, ruína que eu vi
casarão imponente na esquina do largo
pórticos de canela, taipa de pilão
então a fachada art nouveaux atrás do coreto

a rua vazia a espera das festas
dias indiferentes, horas pra nada fazer
tardes mortas, desertas, indolentes
a espera do dia acabar nos degraus da matriz
tempos que ferem a memória de quem retornou
sem partilhar a troca morna de cada dia
torre perdida na rua que corre nervosa
cidade perdida na trama que não pôde evitar


13.6.12

Rio Cotia


duas nascentes aos borbotões
despencam pelo limo das pedras
no topo da serra de Itatuba
onde a chuva despenca o Atlântico
sem saber do Tietê, do Paraná
parecem os olhos do boitatá

Capivari, Cotia do Peixe
na cava da topografia vazam
sufocados pela mata densa
troncos, alagados entre a embira
bromélias, o cipoal que enreda
as ramas, útero da floresta

o rio nasce na vida que cria
e logo se desfaz na angústia
das águas presas no paredão
a liberdade da corredeira
pela mentira do lago, cárcere
pela ilusão do brilho que falso

livre no transbordo da barragem
a esperança tola, um alivio
a água incontida, na liberdade
tenta ser rio no leito eivado
tenta a alma na cachoeira airosa
quão efêmera essa liberdade

tão longa na sua urdidura
pelos enredos do pensamento
romântico, rebelde, tramado
mas no final o jugo acontece
a cidade se interpõe devassa
não aprisiona: ilude, preme

o transbordo, um consentimento
nada mais que o manejo das águas
o controle de almas arredias
a cidade, liberdade enganosa
ferina, retificados os meandros
confinadas as águas em canais

rio medrado. A água sobrada é fraca
para superar os desatinos
da jornada ao Tietê. Já não luta
apenas escoa como o esgoto
morta pela cidade que saciou
qual prisão deixada a montante


29.12.11

O Gavião e a Alma


o gavião plana impassível olhar atento
asas deslizando serenas bandeiras
no sopro do vento se impõe majestoso
liberdade irresistivel invejada

alço vôo na planície celestial
como se pudessem aliar soberanos
a alma vã e o gavião em perfeita harmonia
cúmplices no vagar da imaginação

mas na mira predadora vive a morte
num movimento ágil as asas se envergam
cunha de músculos tesos e fatais

a ilusão se perde no mergulho rápido
as garras cravam a presa paralisada
tomada também pela beleza do vôo

A Araucária


a araucária estanca o espaço
no perfil o candelabro
sol candeia céu cambraia

a araucária cinde a linha
da paisagem pelo acaso
a lança a liça no ocaso

a araucária rompe a terra
a pinha o sêmen na fenda
útero da mata luz

a araucária crava o tempo
gávea solta no horizonte
o cenário a solidão

4.12.11

América do Sul


lembrada se Europa, mentida se África
marcada de vincos, um chão sem fim
sua cara eu vi estampada, impressa
os corpos despidos na escória, lixo
cabeças nos joelhos, dedos na nuca
entre drogas, fuzis, chinelos rotos
os torsos tão nus a implorar uma alma
pudessem mostrar os olhares baços

estilhas de mim nas praças, nos campos
no luto que nunca vesti, nas dores
escondido em sustos, calado, omisso
do costume e fé, firmado no tempo
a esperança, um sonho, amarga ilusão
fustigada a ferro, marcada a fogo
dopada na coca, perdido o jogo,
com medo do céu enviar um herói

quais olhos mongóis a buscar o atlântico
outros portugueses o altiplano
indiferente o condor a planar altivo
sem questionar distância tamanha
sequer Tordesilhas. Divisas vagas
na clausura vã de bandeiras tantas
linhas abstratas firmadas, rudes
desatino à terra, ao mesmo chão

no cerne da América, geia insiste
segue indiferente aos limites falsos
sem velar do Atlântico o sal pacífico
caminhos traçados na terra, na água
qual rio amazonas carreando as pedras
do leito pacífico, tectônico
nascido glaciar, aquecido na hiléia
até se perder no caribe azul

a serra do mar, cunha inversa, águas
que devolvem à cordilheira o Atlântico
planalto central, divortium aquarium
águas que entrelaçam o sul, o norte
platinas inundam planícies, charcos
nervuras permeiam a floresta prenhe
uma vida intensa partilha o fogo
de vulcões que cospem a terra da vida

uma grande nau, tantos capitães
o lado oriental, bombordo, África
a serra do mar amurada atlântica
derruba o planalto, escarpa íngreme
amurada andina, ocidente estreito
costado rochoso, Aconcágua, a gávea
a terra do fogo a separar as águas
na proa deserta da patagônia

de que adiantam limites se a terra glosa
se a liberdade é alma, nasce homem
e os homens que nascem brotam do chão
de que adiantam limites se o homem reage
ao chão cerceado, ao vazio das tripas
às tramas insânias. Nas ruas grassa
a guerrilha vil. Há quem não quer ver
o olhar ilude, finge. Hastear panos a que?

lembrada se Europa, mentida se África
marcada de vincos, um chão sem fim
sua cara eu vi estampada, impressa
permutada a prece por jeitos breves
aos mortos sem alma sequer as lápides
às caras sem vida medalhas falsas
papéis coloridos, confetes no ar
desgraça velada num céu qualquer

27.4.08

Rio das Pedras


água angélica cristalina remanso
prata riscada lambaris acaras
permeio no taquaral dos caranguejos
brejeirice na corredeira pitus

rendas do sol na rama sibipiruna
cheiro da imbira corpo na relva fresca
libélulas siriris pálpebras lentas
ausência olhar fito perdido consigo

alma serena nascida rio deleite
várzea úmida dias mornos indolência
monarcas no sopro mormaço da mata
não ser poeta como neste cenário?

nem a itália da vó chica mundo vago
nem um sonho distante depois dos olhos
nem a ansiedade nada alem do dia vivo
nada a envolver o pensamento arredio

a vila a lambreta do nelsonmathias
penhadeiaiá tianancy na varanda
vitrola num rock meninas num flerte
um cadilaque rabo-de-peixe nada

caminho de terra a voltar pela margem
sandália do godo pneus no solado
uma ponte de tubo na rua morta
o largo das águas cansadas campinho

paraíso talvez atributo da alma
harmonia sonhada dias perfeitos
inesperada vida enredo efêmero
na gema o estigma o prenuncio do fim

há muito não via o rio nem o paraíso
sequer quando a estrada trocou o espigão
águas traídas pelo vale inocente
várzea perdida sepultada indigente

no risco das ruas as montanhas vales
a senadorfeijó baptistacepellos
o lugar que o arquiteto vê com meus olhos
quisera que o visse com meu coração

vila dos arrabaldes retalhos perdidos
olhar generoso querendo encontrar
crer na indiferença dos dias que correm
talvez o coração se deixe iludir

no réquiem a um amigo o sopro das lápides
saudades confessas talhadas nas pedras
arribada última sabida e esperada
as origens a justificarem a volta

se há o acaso como a nascente o tomou?
resto de mata sobra da várzea ermida
na relva uma poça atrás da macega
água do ventre insistente indomável

tantas saudades quantas pude sentir
tantas lágrimas quantas pude chorar
lágrimas águas juntas e derradeiras
correndo pelos tubos indiferentes.

17.3.08

Prisciliana de Castro Pedroso


começo de noite penumbra
ar de casa antiga silêncio
o negrume das telhas vãs
chaminé tosca picumã
a banqueta rude e surrada
lenha junto ao fogão de ferro

a chapa ainda quente da janta
a água na chaleira a espera
o brasil ardente na boca
querida prima zulininha
cozinha sussurros e olhares
quais segredos nunca se soube

vestido preto luto eterno
chinelos de feltro arrastados
joanetes de dores infindas
costa de arco xale de lã
óculos riscados acetato
cabelo puxado birote

rosto suave marcado vincos
olhos atemporais nas cavas
a enlevarem azul de safiras
magia a tomar o momento
a luz que levou os reis magos
olhar que bastava às palavras

mãos tão magras nós
tendões sob a pele sem carne
manchas da tessitura solta
de ferro no viés dos dias
de acalanto no abrir da porta
da lida de doces salgados

de coco pudim doce em calda
abóbora em pedaços cidra
arroz doce papo de anjo
fios de ovos funil de 3 furos
o tacho de cobre fervente
assim como os dias da alma

suspiros da clara sobrada
rosquinhas de trança amoníaco
biscoito de polvilho azedo
manteiga a derreter no pão
bule de ágate café fraco
conversas de tardes cotianas

o não de que ninguém se lembra
que imperativo vestia o gesto
qual argumento a se por
se firmado na força do olhar
nunca o sim sequer foi questão
corriqueiro que era nos dias

mágoa calejada no peito
prece na lápide calada
vala dos seus do companheiro
solidão de quem ficou dor
ecos num casarão vazio
angústia de uma vida longa

dom estigma dessa vida
equilíbrio da ausência bálsamo
da gente descalça da roça
da vila de onde não sei
a casa da porta sem tranca
respeito na sala silêncio

segredo dos vidros estante
tintura de arnica nux vômica
belladonna camomila ervas
a vossa abenção Deus lhe pague
coração de Jesus no quadro
coração de Maria fé

devoção cumprida dias findos
vida cansada tempo insólito
sem questionar apenas foi
um choro de perda saudades
alma paulista cerne dura
Prisciliana de todos nós


14.3.08

Urubus e borboletas


Voam borboletas almas
pelas gazes esfarrapadas
se existissem fora de nós

mas em contraste à aquarela
as asas negras e arqueadas
levam aos olhos o planar

voam borboletas e cores
urubus e serenidade
borboletas e urubus

livres na imensidão soltos
nos campos verdes e azuis
na vastidão do preconceito

aos saltos e soluços
nas assopradelas lufadas
do vento sonso que divaga

ao contrário das asas negras
abrem aos olhos uma aquarela
das cores pelas tessituras

não deslizam como urubus
proas soberanas nos céus
carregados pelo arejar

29.2.08

Réquiem ao Guaracy, o poeta.


Sentar no chão e contemplar os astros...”
o seu verso mais bonito

contou que o verso aconteceu
pelos degraus da matriz

a cidade de uma rua

os olhos de poeta

luz de filamento amarelado num poste
noites frias
tão longas a se perderem em conversas

o dia
vindo dos lados de São Paulo
nem se atrevia a nascer

amigos amores bêbados
cúmplices das sombras do casario
que a lua desenhava no chão
a magia

jamesdean
o irrealismo das mesas da sinuca
o atrevimento que cepellos não teve
quisera cepellos este brilho incontido

versos que corriam em seus dedos
a contar sílabas aprumadas em rimas
e o ritmo

olhos verdes ferino
ironia
andar malandro de mocassim
que não era de poeta
houvesse andar de poeta

um dia o derradeiro poema

ó poeta
que falta fazem suas noites
aquelas

tantos anos
ainda me sento no chão
ritual
a contemplar os astros
menos pelas saudades
a esperar as rimas
como vinham à sua poesia

17.1.08

A sala

sala grande sincera
pé direito alto sem arrogância
paredes caiadas
estampas veladas flor de lis
acasos na cal descascada
tábuas lavadas canela corrida
porão de chão só vi uma vez

soquete pendido baquelita
cocô de mosquito no fio
lâmpada velha luz abatida
mesa oval perdida no centro
toalha a esperar metade do tampo
armário holandês madeira preta
vidros na frente florais estampados
prateleiras forradas papel manilha
queijo bola latinha vermelha
feijão virado couve rasgada
paçoca de carne quibebe apurado
prato fundo outro virado de tampa
dedo de moça alho e azeite
nata fresca manteiga batida
papo de anjo suspiro da alma

clarão no canto luz da vidraça
bandeira alta verde-garrafa
estante marcada fundos de copo
tinturas e mãos de Prisciliana
móvel da dete pilha de livros
de viés no canto cristaleira de espelho
tampo de mármore rosa da itália

espírito santo nicho vermelho
talvez gabriel o quadro de anjo
restos de jantar jornal do didito

porta da rua folha direita
no eixo do engonço a ferrugem fere
um sopro incomoda o ar parado
por que o dia não o faria?

insistem os olhos na sala que busco
o cenário resiste à solidão do vazio
não há o medo que assoma à calçada
estão todos lá sempre estiveram
no eco dos passos no mofo dos cantos
na poeira calada do rasgo de luz
caros todos pois todos são meus
têm minha alma sempre a tiveram
pressinto que espreitam pelo final
não há depois dos últimos que viram
a memoria que tece morre com a morte
restarão os escombros apenas ruinas

4.1.08

A história de um nome


ruas idas paulistanas
travessa conde de sarzedas centro
casa última da lavadeira
schivenoglia de mantova
vila perdida antes do atlântico
não conheço uma rua sequer

uma alma construída na arrogância das letras
mesmo ao lume da vela
outra na pertinácia do suor
no guatambu
nas canções dos cafezais
um garibaldi curvado às lavras por amor
priscilla de magnacavallo
chão que nunca pisei e quisera

suados do campo
conversa de cozinha colônia
ilusão do retorno
nostalgia a ferir
o cenário mitiga
mesa farta vozerio
hora de lamber as feridas
o sole mio olhos molhados
meu pai contou dos dias que ouviu
dos que não ouviu
do luiz do meu nome

o vento alçado das minhas mãos
papel de seda tenso vareta de bambu
cola da farinha de trigo franjas
enlevo a seguir as pontas dos dedos
presença encanto têmpera
o mário a me encantar com a pipa
o que me trouxe o nome

luiz do pai do avô
luiz que nem soube de mim
talvez nem quisesse o poeta
nem leu Virgílio que era seu
não sabia
nada além das mãos rudes

nasci brasileiro
mestiço de todas as ruas
como tantos
mário com quem vivi
luiz de quem ouvi
e um nome a contar


24.12.07

O segredo


a serra é negra ante o vermelho derramado
mas logo o sangrante se perde no outro lado
então o negrume

e uma estrela d'alva que ponteia o cenário
pendura a paisagem num ponto de luz


na rendição do dia
no útero da noite
o segredo do recôndito se mostra
mas a 
beleza do poente ilude
atraiçoa os meus olhos

felina
a noite iça os panos do medo


16.12.07

O mar e a serra


o mar na indolência das praias
as marinas pinceladas
no céu de um sol brasileiro
nos azuis
do prato de parede da minha avó

a serra na alma

o perfil que muda na imaginação apenas
não trangride
caminhos nos flancos de encostas
como cobras
a enrolar braceletes sem fim

olhos de contemplar
vôo sereno do olhar

urubu majestoso
bruma no horizonte

tule
fiapos nas agulhas e copados
o humor insistente do vento do leste

chuva embriagando quaresmeiras manacás
outono

nos grotões nas cascatas nas copas cerradas
o mimetismo nas sombras


a espuma entre rochas que tocaiam
as falésias onde explodem as águas
os ventos a fúria das ondas as ressacas

transgridem
a calmaria ilude


o mar primordial
horizonte arco curvo
convegência do céu

planos secantes e lúcidos
estrelas conduzindo os homens desde sempre
lua

esfera solta na amplitude
velame da terra
uma nave ancorada no sol
sem ansiedade de partir

o infinito seduz

a beleza infinda faz querer que se creia
a natureza na serra apenas arrebata

nasci no alto

longe da planitia do mar
praça da matriz de nossasenhoradomonteserrat
luzes da paulista nos vãos da neblina
noite vadia de algumas estrelas
lâmpadas de filamentos
a torre da sé no sul do zênite
às vezes uma pedra de fogo no céu


tanto para contar de um dia
no alto do terraço do olhar sem fim
a me ver como há muito não via
e não me veria
não houvesse a montanha para me alçar sobre os dias

sem o mar
nem a maresia melando o corpo
ou o cheiro podre do mangue do cais
mas gostaria
para lavar a alma das mágoas
para imaginar além da curvatura da Terra
ou quem sabe para apenas crer

mas eu estava na serra
a ver e contemplar
e por ver é que soube contar
e por contemplar é que soube entender
o mar e a serra


15.12.07

Domingos Bózio


chapéu roto abas curtas feltro puído
banda desfiada cetim ruço marcada
suor varado testa cingida carneira
calva escondida orelhas dobradas copa
topo do vinco sinal de gordura dedos
gesto elegante no ajeitar do chapéu
resto de alguém

barba de um dia amarelada na boca
fumo em corda saliva grossa na palha
banguela tinta marrom de alcatrão
olhos azul europeu da bota talvez
idade esculpida nos vincos do rosto
recato a esconder as agruras do tempo
tão intrigante

ângulo nos traços a belfa na face
figura marcada arredia ao signo
calça velha franzida acima do umbigo
passantes rompidos perdidos no cós
jaleco surrado fraldas da camisa
cadarços perdidos sapatos sem meias
quantos segredos

barsãoluiz becodofelício esquina
balcão da antártica mármore carrara
horas longas na soleira da porta
vida vã dormente a espera da alma ébria
moeda benvinda ansiedade da goela
cuspe escarrado na solidão da viela
nunca um pedinte

quem morre sábado no domingo enterra
dedo na ferida do homem sangrado
olhos vidrados a ira retorno à vida
o gesticular a ânsia da fuga a ida
o quarto escuro o porão úmido murada
a porta trancada o homem interior mas quem
como saber

um nome na lápide sobras apenas
como tantos morrudo chicão leriano
memórias perdidas no fundo da vala
mesmo nas histórias das ruas cotianas
rodas de assuntos nas calçadas de pedra
verdades mentiras conversas da vila
enfim o urbano

prato da família balaio de todos
cúmplices nos dias nos acertos e erros
respeito singular movimentos claros
cenário de postal desenho suave
vida fluida domingosbózios a gente
no corpo a alma medida razão do todo
uma cidade